quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cigana


Andar nas trilhas
Colher flores do campo
juro!
Queria novamente correr por lá.
Sentir o vento batendo em meu rosto
Ser menina feito moça
E encantada com a vida tecer amores.

Mas o tempo não para e parar pra pensar
Nem pensar.
Ficou distante esse tempo.
Um ano a mais e muitos outros ficaram para trás.

Tropeço nas peças que a vida me trouxe.
Juro!
Queria que o tempo voltasse
E que de novo encontrasse
aquela menina de sonho encantado
de cabelos encaracolados
com cheiro de relva
e poeira nos pés.

Ao olhar para o céu
sinto um pouquinho de medo do tempo que me resta a percorrer
Mas tudo hoje é tão rápido se não prestar atenção, não sentirei a chegada.
ou já cheguei?

Lili Ribeiro

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estrela menina


Estrela menina

Um punhado de estrelas saltitantes enfeita o céu
Um brilho suave burlando a noite
E vim buscar as uvas os doces os chocolates.

Da vida só o prazer e não mais a dor
Um hino suave, uma poesia cantada
Um charme a mais no meu andar de menina madura.

Sou forte, sou lua sou menina e as vezes me perco pelas ruas.
Hora de voltar... Pra que?
Sou assim.

Um pouco levada
Pelos poetas, invejada.
Sorriso farto, vestido largo... Não rejeito um afago
Mas nada que seja exagerado.

Sou menina ainda.
Nada de compromisso, por enquanto só os suspiros.
E se um dia sair da adolescência
Que seja pra ser mulher
Nunca uma coisa qualquer como a maioria dos homens querem.

Ah! Se o tempo parasse e de novo eu voltasse seria pra rir e nunca mais chorar.
Hoje sou assim, facho de luz, estrela assanhada e saltitante
Perdida nesse imenso céu.

Com meu brilho suave vou burlando a noite
Cantando a vida e celebrando a liberdade.
Liberdade! Quanto te quero de verdade.
Lili Ribeiro

domingo, 11 de abril de 2010

Análise





Já não somos mais crianças


e a inocência não nos acompanha.


Labirintos obscuros e tramas.


Ainda nos perseguem.



Das brincadeiras de crianças


Restam poucas lembranças.


Tranças, bonecas, as bolinhas de gudes...


Goma de mascar, bala Juquinha...


Juro! Queria que o tempo voltasse.



E o que tenho?


O que aprendi com o futuro já vivido?


Não sei. Não sei!



Os dias continuam passando


E com o tempo


Somo as horas mortas que não voltam.



Penso, repenso e nada!


Nada de novo se apresenta.



Ansiedade me vem.


afasto-me da vida


mas ela chega-me em breves lembranças


Enfumaçadas nuances...



O tempo. Senhor da razão.


Será?


“Alzheimer” um vazio...


A solidão...


que segue apagando a


-vida-


E do passado


Certo ou errado.


Quem se importa?


A ninguém interessa.



A felicidade


Hoje é só um engano.


Dela, nem saudade.



Lili Ribeiro



quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Meu porto

Deixa que eu pouse
Em seus ombros
Pois sou andorinha
Perdida do bando

Deixa que eu navegue
Em teus mares
Pois sou fragata
Sem capitão

Deixa que o tempo passe
E que eu fique assim...
-ao teu lado-
Sussurre em meus ouvidos
Palavras jamais destiladas

Deixa que eu sonhe
Os seus sonhos
Deixa que me ancore
Em seu porto.

Canta-me a musica dos deuses
ou
A valsa dos amores.

Deixa que eu dance
Em seus campos
Feito folha solta
Que baila
Levada pelo vento.

Serei para ti
Bailarina.

Que quão bela dançarei
A valsa do cisne branco
E a valsa do cisne negro
Dar-te-ei morada
Em meu coração

Onde habitas há muito e não sabes...

Lili Ribeiro






quinta-feira, 6 de novembro de 2008


Segredos

Ao cair da tarde
vem às tristezas e saudades.
Lembro-me dos dias felizes.
Iguais aqueles
Só mesmo em meus pensamentos tive.

Belas manhãs de outono
-tivemos-

Caminhos percorridos por intensa magia.
Um sonho
uma dor
e o amor
nascendo entre nós dois.

Os pequenos seres daquele lago
Agitavam-se.
Parecia fazer fita só pra nós.

E na cachoeira
água fresca descia daquela mata.
Refrescava os nossos corpos
com gotas que trazidas pelo vento
se faziam em brisas e notas soltas pelo ar.

No sussurrar das águas
musicalidade ímpar a nos encantar.

Tremores nas mãos
tropeços nos pés.
E no entrelaçar das nossas línguas
-beijos que ardiam-

deixavam nossos corpos
implorando um ao outro.
Desejo pleno
e mãos que passeavam por todo meu corpo
sem pedir licença.

Por testemunhas
O silencio
e o um sutil raio de sol
que atravessava as ramagens
e os fortes galhos
das grandes árvores.
A nos sondar.

Lili Ribeiro



Namorada do Vento

Sou eu a menina que andava descalça nas ruas calçadas daquela cidade. Foi a mim, que você esbofeteou quando me deu doces em troca de carinhos e os versos que não ouvi de ninguém choram sozinhos na beira da estrada esperando que eu os ouça. Jamais minhas lágrimas secaram, pois ainda lembro das tuas mãos acenando-me, ora chamando, ora dizendo:- vai! E eu sempre ia. Nunca sabia para onde ir, mas sempre chegava a algum lugar. Sempre um lugar que não gostaria de estar. Travo uma guerra a cada dia dentro de mim, e assim vou rompendo as barreiras que tu fincaste em meus caminhos. Pobre menina sem teto, sem chão. No cais a vida, que sem vida, morria!
Sou por sorte andarilho namorada dos ventos. Nos meus caminhos ainda encontro troncos e sinto o vento, gemendo. Meu fiel companheiro ainda, de há muitos tempos. Lembrança de muitas horas que me vi semeando sonhos, mesmo quando não os tinha, pois eles brotavam de dentro do meu âmago sofrido. Hoje ainda sou menina e namoro em cada esquina, o vento, pois este o tempo não me toma e não me leva nem me foge a cama.
Sou eu hoje ainda, a menina descalça que anda nas ruas calçadas daquela cidade. Onde você passa me acena e me deixa alguns trocados, sangrando!


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Lili Ribeiro

04/06/08

segunda-feira, 10 de março de 2008

Escuta


Escuta
Entra!

Está aberta a porta
Se achegue se ajeite.
Sirvo-te um chá quente
E lá fora o vento, serpente.
Gemendo.
Não peço pra que fiques
Nem que te vás
Peço apenas que entendas
Que o tempo não para
E enquanto dormes tuas cãs
Tornam-se cada vez mais brancas
E o chão que tu pisasMais tempo te agüenta
Teus passos tão firmes se tornarão lentos...
Pensas em acalanto, num canto, num ombro.
E o tempo a teu mando
Enganando-te
A vida torna-se cada vez mais longe
E os anos pequenos vão ficando.
A noite é cada vez mais breve
E o sono sempre leveE breves são teus dias
Que te perdes nas estradas
A procura do que não é teu
Entra, senta!
Toma mais um gole de paciência...
Olha as precisas mãos
Que tu precisas nas bengalas te apoiar
Em quantas em sã consciência ou não
Encostaste
Qual tronco grosso e forte
Em cima de rochas
Que tentavas mostra-las,
Areias.
Senta, é cedo ainda!
Seus pés estão firmes,
Suas pernas agüentam
Bebe mais um gole da”aguardente”
Que deste aos teus parentes
Teus entes, tua gente!
E nela te banhas e relaxas,
Pois ainda precisas tomar um cálice do veneno
Que ofereces ao povo.
Embriagadas almas sedentas.
Pare!
Não bebas mais!
Esquece a taça, o vinho acabou.
Seria esse o teu gole final
Mas a morte chegou!

Lili Ribeiro